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VALE A PENA LER: Não passe esta preciosa reportagem!

No dia 13 de dezembro tive uma incrível experiência. Sabem qual foi?

Conheci em carne e osso o Portugal de décadas atrás, não duas ou três, mas sete décadas, no mínimo. Nem percebo por que "inventar" uma máquina do tempo é um grande feito, quando existem pessoas que viveram o passado e anseiam por partilhá-lo.

Vou contar-vos sobre a visita que a minha turma, do 8º G, realizou ao Lar da Santa Casa da Misericórdia da Póvoa de Varzim,  no âmbito da disciplina de Cidadania e Desenvolvimento, com a professora Carla Brandão acompanhada pela professora Esmeralda Araújo.

Após o almoço, começou a nossa bela VIAGEM NO TEMPO e logo que chegamos perdemo-nos nos belíssimos jardins da instituição...

Foi lá que tive a minha primeira interação com um dos senhores que aí vivem.

Quando a porta se abriu, vi-o, logo comecei a acenar e ele devolveu o aceno com um sorriso de orelha a orelha.

Sabia que ia ser um bom dia, só por esse momento.

Logo de seguida, vi duas senhoras sentadas num banco atrás dele, que pareciam estar a «fofocar».

Fiquei atónito! Pensei que as fofocas acabavam depois de uma certa idade, mas estão lá vivas como estavam na adolescência!

Finalmente, chegou a hora de entrar.

Eu estava nervoso! Era a minha primeira vez num ambiente como aquele.

Andamos pelas instalações, que, por sinal, eram bem maiores do que eu esperava, muito maiores!

Enquanto a professora Carla Brandão apresentava a nossa escola e a turma, reparei que, ao fundo da sala, no lado esquerdo, perto de um corredor, estava sentado um senhor.

Reparei na vontade de conversar que emanava dele, tão intensamente, que parecia um íman da minha atenção. Estávamos nós os dois a trocar olhares, eu olhava para ele e ele olhava para mim. Ele sabia o que eu queria e eu também, mas a vergonha dominava-me.

Até que não resisti e ganhei coragem! Era hora de agir!

Fui lá e, vermelho como um tomate, conversei com ele. Recentemente, tinha mudado de ala no lar e veio visitar os amigos que eram dessa parte da instituição. Disse-me que o seu dia estava a correr muito bem.

Foi o meu primeiro amiguinho. 

A minha segunda amizade foi com a senhora ao lado dele, a Dona Cândida. O que tenho a dizer é que ela é a pessoa mais religiosa e estudiosa que já conheci. Deu-me um conselho, de que me lembro claramente e que vem de alguém com mais anos de experiência do que as idades dos meus pais somadas:

 "Estude e faça tudo direitinho!".

Já estava na hora de ir embora daquela ala do Lar e, então, tentei fazer o meu truque super fixe: dar bombons às escondidas aos velhinhos com quem eu falasse.

Mas não deu muito certo. Lá estava eu, com a cara a arder e sem jeito, a tentar fazer o meu truque e os meus dois amigos a não entenderam a brincadeira. (Fico vermelho só de escrever isto). Após várias tentativas, lá consegui e o senhor gostou. É um dos adoradores de chocolates. Até acho que os seus olhos brilharam!

Percorremos mais uns corredores até chegarmos ao próximo grupo. A professora proferiu o seu discurso de apresentação e, quando acabou, foi cumprimentar as pessoas individualmente.

Observei-a e senti uma imensa culpa! Não bastava olhar, era preciso agir!

Não sei bem como me expressar, mas tive um impulso de que também devia fazer aquilo, seguir o exemplo da minha professora. Depois do "aquecimento" com os meus primeiros dois amiguinhos, segui em frente e comecei a falar e a interagir com eles.

Desejei um bom Natal a três senhores e, em seguida, conheci as minhas próximas duas amigas.

Uma delas agarrou-me pelo braço e disse:

"Eu venho do inferno!"

 Pulei para trás e comecei a falar com ela. Afinal, vivia num monte no Minho onde  fazia muito calor. Ela, super brincalhona, pregou este susto «de vir do inferno» a mais cinco de nós, incluindo a professora Carla. Descobrimos que tinha 92 anos e um bom sentido de humor. (Brincadeira vai e brincadeira vem).

Falei igualmente com a senhora ao lado que estudou durante doze anos na Póvoa de Varzim e trabalhou durante quarenta e dois, no Registo, se não me engano.

Falamos sobre a nossa cidade.

Aprendi, inclusive, que a Escola Secundária Eça de Queirós se chamava Liceu Nacional da Póvoa de Varzim. Ficou espantada quando lhe disse que tinham demolido a tourada e o quanto nós, alunos, nos esforçamos nos estudos.

Algo especial aconteceu nesta nossa conversa! Uma coisa que não consigo exprimir por palavras, no mínimo num vídeo e, mesmo assim, não deve transparecer a emoção. Durante o assunto de como a Póvoa de Varzim cresceu, ela ficou muito emocionada, prestes a chorar. Quando percebi isso, segurei a sua mão.

Acho que nesse momento cresci como ser humano. Foi mágico! 

Não quero que interpretem este longo texto como uma vanglória minha, mas sim, como uma oportunidade de nós, mais novos, partilharmos o presente, junto dos mais velhos, aprendermos sobre a herança do passado e viajarmos no tempo, porque, no futuro, seremos nós a ansiar por este carinho!

 

Obrigado, professora Carla, por nos mostrar uma Biblioteca Humana, repleta de emoções e desejosa de interações!

 

Dario Filho 8ºG (Professora de Cidadania Carla Brandão)



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